(o meu comentário ao artigo Sobredotados sem compreensão e apoio do Governo)
As contradições dos nossos governantes percebem-se em atitudes que não são medidas e pensadas em termos futuros, a não ser o destino que antevêem para o seu próprio ego. O local de debate prós e contras, o centro das decisões mais importantes do país, não passa de um metafórico pombal de interesses individuais, económicos e partidários, povoado de pombos-correio disfarçados, em campanhas coloridas, de defensores daquelas mesmas conveniências para um povo, iludido, que juraram defender.
Neste caso concreto, não interessam “centros de desenvolvimento” de cérebros ou de competências que, à partida, se poderiam distanciar de decisões “poucochinhas”, porque não é aí que importa apostar. Os “craques” devem ser rápidos, perceptíveis e proporcionar um lucro instantâneo para, eternamente, ficarem nas memórias dos cultores de um zapping social efémero.
Tal como as escolas formadoras a longo prazo estão fora de moda,(embora camufladas por uma capa de igualdade e de oportunidades democráticas), porque delas não se retira esse proveito efémero ultra moderno, também as potencialidades humanas ficarão irremediavelmente comprometidas porque não se compadecem com a celeridade do tempo actual, do hoje que já é amanhã e, em simultâneo, “é” ontem. Apregoa-se a colheita célere a partir de uma raiz podre que, naturalmente, só poderá dar origem a frutos inócuos e insípidos mas com aparente essência. Mesmo sem perceber muito de agricultura, sei que o solo onde se planta tem de ser adequado às diferentes espécies, regado, adubado e lavrado.
Não admira, pois, que outros a quem foi dada a conhecer, por experiência, a importância do aproveitamento de recursos “naturais”, deles se aproveitem e deles venham a usufruir de forma calculada, porque pensada.
sexta-feira, junho 20
quinta-feira, junho 12
Iluminismo, Ilusionismo ou "Iluminatismo"?
Iluminismo, Ilusionismo ou "Iluminatismo"?
Às vezes, depois de passar horas a ler posts em blogs interessantes, comentando aqui e ali, "linkando" de link em link (até me perder da página onde comecei), absorvendo informação desconhecida, outra que reconheço, mas sob diferentes pontos de vista, dou comigo a pensar …sim, também me acontecem destas coisas…!
Até onde e quando serei capaz de argumentar sobre um Mundo ideal, já nem sei se cristão nos seus princípios, e conciliar as minhas ideias com os meus desejos de progresso e de desenvolvimento de um país, que é o meu, mas que se me revela quase desconhecido?
Até quando irei conseguir resistir a uma propaganda, utilizada de forma tristemente admirável por extremistas de um passado recente, aperfeiçoada para que "conquiste adeptos", e continuamente repetida por mãos de mestres que a manipulam de forma quase perfeita? Uma propaganda que me tenta convencer que a Salvação do Mundo em que vivo, e a concretização dos meus ideais, só é possível através da construção de um governo global, uniforme, previsível e regular, (ou seja, "formatado" sob uma "ordem" internacional)!? Supostamente, um governo menos individualista e mais participante por meio de organizações multilaterais, também elas, supostamente prestigiadas e eficazes… Se estas não ficassem reféns de interesses de Estados ou de indivíduos mais poderosos, o meu cepticismo não seria tão grande…
Como vou continuar a defender ideais liberais e democráticos, que julgo saber (re)conhecer, precursores de uma sociedade onde a solidariedade, a igualdade de oportunidades, de raças e de sexos imperem, sob a ameaça simultânea e constante de uma teoria profética que, tal como todas as profecias, "se cumprirá", e que dita que o meu Mundo é regido apenas por poderes políticos e económicos? Na verdade, se for reler as decisões, tomadas por gente sábia e “voluntariosa”, sobre a universalidade dos direitos do Homem, sobre a intervenção humanitária em cenários de guerra, sobre o falhado Protocolo de Quito ou, ainda, sobre o "stand-by" do desarmamento ou..ou…a minha desilusão aumenta .
Estupefacta, chego à conclusão que, sem me ter apercebido, tenho vivido num Mundo esotérico e oculto, instruído por doutrinas secretas e, dependendo da subjectividade ou emotividade de cada um, assustadoras pelas suas coincidências ou, então, únicas salvadoras condicionadas por uma fé inquestionável… mas, por fim, castradoras da liberdade (sem medo) de expressão ou, até mesmo, do pensamento. Afinal, o destino está traçado, não apenas nas linhas da mão ou nas borras do café turco, mas também nos textos bíblicos onde é "lida" e "anunciada" a chegada do Anticristo (embora este, ao longo dos séculos, já tenha nascido e ressuscitado diversas vezes) … …
Ou, optimista, talvez viva, "apenas", rodeada de bem elaboradas técnicas de Marketing, com resultados estatísticos bem visíveis, que propõem a contínua satisfação do potencial consumidor através dos 4 P's:
-desenvolver o Produto e diferenciá-lo dos outros,
- sondar quanto o consumidor está disposto a Pagar, (ou, neste caso, a vender de si próprio),
- distribuir pelo Ponto de venda mais rentável e, finalmente,
- Promover esse produto.
Cada um de nós, Seres pensantes e críticos, fará, a seu modo, a leitura destes 4 P's e far-lhe-á a legenda que mais lhe convém, pois sabemos há muito, muito tempo, que é o PODER da Comunicação, da Informação, da Publicidade, leia-se Propaganda, seja ele subliminar, persuasivo ou ostensivo, o factor principal de promoção do produto perante o potencial "cliente". Satisfazendo as suas necessidades fantasistas vai, lentamente, seduzindo e penetrando no âmago das suas emoções.
Com um misto de sentimentos, noto que não importa a qual destes "sub-mundos" já direccionados, proféticos e potenciadores de emoção me vou submeter. Sempre terei de arcar com as consequências da minha escolha e, de entre elas, destaca-se uma, que neste caso importa referir, que é a castração da faculdade que me diferencia dos outros animais, o pensamento racional e lógico, aquele que me tentam roubar pela homogeneização de ideias, princípios, valores, crenças e comportamentos…
Ilusão ou realidade?
Estarei "iluminada" pela Luz da Razão, ou estarei a ser iludida pela “Luz” que me querem fazer ver?
Manuela
Às vezes, depois de passar horas a ler posts em blogs interessantes, comentando aqui e ali, "linkando" de link em link (até me perder da página onde comecei), absorvendo informação desconhecida, outra que reconheço, mas sob diferentes pontos de vista, dou comigo a pensar …sim, também me acontecem destas coisas…!
Até onde e quando serei capaz de argumentar sobre um Mundo ideal, já nem sei se cristão nos seus princípios, e conciliar as minhas ideias com os meus desejos de progresso e de desenvolvimento de um país, que é o meu, mas que se me revela quase desconhecido?
Até quando irei conseguir resistir a uma propaganda, utilizada de forma tristemente admirável por extremistas de um passado recente, aperfeiçoada para que "conquiste adeptos", e continuamente repetida por mãos de mestres que a manipulam de forma quase perfeita? Uma propaganda que me tenta convencer que a Salvação do Mundo em que vivo, e a concretização dos meus ideais, só é possível através da construção de um governo global, uniforme, previsível e regular, (ou seja, "formatado" sob uma "ordem" internacional)!? Supostamente, um governo menos individualista e mais participante por meio de organizações multilaterais, também elas, supostamente prestigiadas e eficazes… Se estas não ficassem reféns de interesses de Estados ou de indivíduos mais poderosos, o meu cepticismo não seria tão grande…
Como vou continuar a defender ideais liberais e democráticos, que julgo saber (re)conhecer, precursores de uma sociedade onde a solidariedade, a igualdade de oportunidades, de raças e de sexos imperem, sob a ameaça simultânea e constante de uma teoria profética que, tal como todas as profecias, "se cumprirá", e que dita que o meu Mundo é regido apenas por poderes políticos e económicos? Na verdade, se for reler as decisões, tomadas por gente sábia e “voluntariosa”, sobre a universalidade dos direitos do Homem, sobre a intervenção humanitária em cenários de guerra, sobre o falhado Protocolo de Quito ou, ainda, sobre o "stand-by" do desarmamento ou..ou…a minha desilusão aumenta .
Estupefacta, chego à conclusão que, sem me ter apercebido, tenho vivido num Mundo esotérico e oculto, instruído por doutrinas secretas e, dependendo da subjectividade ou emotividade de cada um, assustadoras pelas suas coincidências ou, então, únicas salvadoras condicionadas por uma fé inquestionável… mas, por fim, castradoras da liberdade (sem medo) de expressão ou, até mesmo, do pensamento. Afinal, o destino está traçado, não apenas nas linhas da mão ou nas borras do café turco, mas também nos textos bíblicos onde é "lida" e "anunciada" a chegada do Anticristo (embora este, ao longo dos séculos, já tenha nascido e ressuscitado diversas vezes) … …
Ou, optimista, talvez viva, "apenas", rodeada de bem elaboradas técnicas de Marketing, com resultados estatísticos bem visíveis, que propõem a contínua satisfação do potencial consumidor através dos 4 P's:
-desenvolver o Produto e diferenciá-lo dos outros,
- sondar quanto o consumidor está disposto a Pagar, (ou, neste caso, a vender de si próprio),
- distribuir pelo Ponto de venda mais rentável e, finalmente,
- Promover esse produto.
Cada um de nós, Seres pensantes e críticos, fará, a seu modo, a leitura destes 4 P's e far-lhe-á a legenda que mais lhe convém, pois sabemos há muito, muito tempo, que é o PODER da Comunicação, da Informação, da Publicidade, leia-se Propaganda, seja ele subliminar, persuasivo ou ostensivo, o factor principal de promoção do produto perante o potencial "cliente". Satisfazendo as suas necessidades fantasistas vai, lentamente, seduzindo e penetrando no âmago das suas emoções.
Com um misto de sentimentos, noto que não importa a qual destes "sub-mundos" já direccionados, proféticos e potenciadores de emoção me vou submeter. Sempre terei de arcar com as consequências da minha escolha e, de entre elas, destaca-se uma, que neste caso importa referir, que é a castração da faculdade que me diferencia dos outros animais, o pensamento racional e lógico, aquele que me tentam roubar pela homogeneização de ideias, princípios, valores, crenças e comportamentos…
Ilusão ou realidade?
Estarei "iluminada" pela Luz da Razão, ou estarei a ser iludida pela “Luz” que me querem fazer ver?
Manuela
Regresso ao passado
Regresso ao passado
Hoje, tive a noção exacta do que sentiram as gerações que passaram por um racionamento em produtos de "primeiríssima" necessidade…
Lembro-me das histórias que me contavam sempre que não queria comer. Eram contadas com alguma mágoa, (para me fazerem comer), mas também com um misto de saudosismo pela solidariedade demonstrada pela vizinhança ou amigos, e nas quais entrava quase sempre uma personagem: "um rebuçado".
O "sr." rebuçado fez as minhas delícias de infância. Imaginar o meu avô com os bolsos cheios de rebuçados (1 tostão dava para vinte), no dia em ia à taberna jogar uma cartada e voltava a cavalo numa mula, fazia-me sorrir. Até mesmo rir, como no dia em que a mula se lembrou de dar pinotes e ele caiu, passando uma hora, às escuras, a "apalpar" rebuçados no carreiro de terra.
Mas…a verdade é que, naquelas histórias, o desejado "rebuçado" nunca foi comido ou "chupado", dissolvido na boca lentamente e com prazer. Antes pelo contrário, era logo"derretido", como por magia, assim que caía numa caneca de café de cevada.
Foi assim que eu descobri as virtudes ou as desvantagens do adoçante. Se o temos, abusamos dele ou, até, substituímo-lo por uma "migalha" adocicada, que me amargou na boca quando, glutona curiosa, lhe quis sentir o sabor. Se não existe, lá diz o ditado, " a necessidade é mestra", e usa-se o que se pode para, neste caso concreto, enganar a boca, ou mesmo o café.
Foi com estes pensamentos que cheguei a casa, carregada de farinha e, claro, de açúcar (não vá o diabo tecê-las), mas sem a carne e/ou o peixe nem, tão pouco, uma erva verdinha, até podia ser verde-seco, para acompanhar.
As prateleiras destas secções estavam completamente vazias. Vazias, como reza o meu dicionário, ainda sem acordo ortográfico. Não me lembro de alguma vez ter visto a imagem desoladora de um armazém despido da sua função! Mas não de área de consumo. Os "zombies", assim me pareceram as pessoas, puxando um cestinho vazio com rodas, passeavam-se com ar desolado ..(ou assustado?) pelos corredores e chegavam à menina da caixa com enlatados, arroz, massa e ovos, muitos ovos, não vão as galinhas entrar também em reivindicações.
Provavelmente não entram elas, mas os seus criadores, com a falta que sentem de rações para as alimentar, ou ainda, os galos, que a continuarem sem comer, entram em greve reprodutiva e o ciclo termina….
Assim como terminou o meu dia, com farinha, açúcar e o carro parado à porta, na reserva. As estações de serviço esgotaram às 2 da tarde.
Será desta que começo a andar de bicicleta para ir trabalhar? Não me estou a ver sobre um skate, nem sobre patins como as meninas dos hipermercados.
Consciente estou, que é mesmo necessário abandonar o vício da dependência. Já a psicologia o diz e a história recente o corrobora. Alterar modos de vida e comportamentos, será a solução.
Hoje, apeteceu-me voltar aos tempos do meu avô, retomar uma agricultura também ela sem dependência, a não ser a da Natureza, saudável e sempre pronta a devolver a atenção que se lhe dá. Recordei as minhas férias de menina, junto à ribeira a dar pedacinhos de pão aos patos, que às vezes iam parar dentro de uma caçarola de barro, para meu grande desgosto. Das couves que ajudava a cortar na horta para dar aos coelhos e que me entretinha a ver roer; do leite quente fervido, acabado de ser ordenhado e que me faziam beber, mas que eu detestava porque não estava dentro de um pacote!
Por alguma razão fiz hoje este "Regresso ao Passado 2" e não pode ter sido apenas por causa das prateleiras vazias de um supermercado e de uns quantos "zombies" caras pálidas, ou ainda, da hipótese de me ver sobre um skate para ir trabalhar.
Não, penso que a razão principal é ter tido maior consciência dos erros em que temos todos vivido….
Hoje, tive a noção exacta do que sentiram as gerações que passaram por um racionamento em produtos de "primeiríssima" necessidade…
Lembro-me das histórias que me contavam sempre que não queria comer. Eram contadas com alguma mágoa, (para me fazerem comer), mas também com um misto de saudosismo pela solidariedade demonstrada pela vizinhança ou amigos, e nas quais entrava quase sempre uma personagem: "um rebuçado".
O "sr." rebuçado fez as minhas delícias de infância. Imaginar o meu avô com os bolsos cheios de rebuçados (1 tostão dava para vinte), no dia em ia à taberna jogar uma cartada e voltava a cavalo numa mula, fazia-me sorrir. Até mesmo rir, como no dia em que a mula se lembrou de dar pinotes e ele caiu, passando uma hora, às escuras, a "apalpar" rebuçados no carreiro de terra.
Mas…a verdade é que, naquelas histórias, o desejado "rebuçado" nunca foi comido ou "chupado", dissolvido na boca lentamente e com prazer. Antes pelo contrário, era logo"derretido", como por magia, assim que caía numa caneca de café de cevada.
Foi assim que eu descobri as virtudes ou as desvantagens do adoçante. Se o temos, abusamos dele ou, até, substituímo-lo por uma "migalha" adocicada, que me amargou na boca quando, glutona curiosa, lhe quis sentir o sabor. Se não existe, lá diz o ditado, " a necessidade é mestra", e usa-se o que se pode para, neste caso concreto, enganar a boca, ou mesmo o café.
Foi com estes pensamentos que cheguei a casa, carregada de farinha e, claro, de açúcar (não vá o diabo tecê-las), mas sem a carne e/ou o peixe nem, tão pouco, uma erva verdinha, até podia ser verde-seco, para acompanhar.
As prateleiras destas secções estavam completamente vazias. Vazias, como reza o meu dicionário, ainda sem acordo ortográfico. Não me lembro de alguma vez ter visto a imagem desoladora de um armazém despido da sua função! Mas não de área de consumo. Os "zombies", assim me pareceram as pessoas, puxando um cestinho vazio com rodas, passeavam-se com ar desolado ..(ou assustado?) pelos corredores e chegavam à menina da caixa com enlatados, arroz, massa e ovos, muitos ovos, não vão as galinhas entrar também em reivindicações.
Provavelmente não entram elas, mas os seus criadores, com a falta que sentem de rações para as alimentar, ou ainda, os galos, que a continuarem sem comer, entram em greve reprodutiva e o ciclo termina….
Assim como terminou o meu dia, com farinha, açúcar e o carro parado à porta, na reserva. As estações de serviço esgotaram às 2 da tarde.
Será desta que começo a andar de bicicleta para ir trabalhar? Não me estou a ver sobre um skate, nem sobre patins como as meninas dos hipermercados.
Consciente estou, que é mesmo necessário abandonar o vício da dependência. Já a psicologia o diz e a história recente o corrobora. Alterar modos de vida e comportamentos, será a solução.
Hoje, apeteceu-me voltar aos tempos do meu avô, retomar uma agricultura também ela sem dependência, a não ser a da Natureza, saudável e sempre pronta a devolver a atenção que se lhe dá. Recordei as minhas férias de menina, junto à ribeira a dar pedacinhos de pão aos patos, que às vezes iam parar dentro de uma caçarola de barro, para meu grande desgosto. Das couves que ajudava a cortar na horta para dar aos coelhos e que me entretinha a ver roer; do leite quente fervido, acabado de ser ordenhado e que me faziam beber, mas que eu detestava porque não estava dentro de um pacote!
Por alguma razão fiz hoje este "Regresso ao Passado 2" e não pode ter sido apenas por causa das prateleiras vazias de um supermercado e de uns quantos "zombies" caras pálidas, ou ainda, da hipótese de me ver sobre um skate para ir trabalhar.
Não, penso que a razão principal é ter tido maior consciência dos erros em que temos todos vivido….
Etiquetas:
Regresso ao passado
quinta-feira, junho 5
Pobreza envergonhada à minha porta
Tinha acabado de chegar a casa.
Um toque de campainha fez-me largar o biscoito que tinha na mão e ir abrir a porta. Por estes lados, ainda não são necessários excessivos cuidados quando se abre a porta de casa.
- Boa tarde, não sabe da D. Alzira?
...?? Certamente deveria saber,mas não sabia.
- Ela não está, nem o carro está à porta...
...?? Como pude não reparar que a D.Alzira não estava em casa, nem tinha o carro estacionado em cima do passeio, como é costume??
Ainda surpreendida com esta abordagem, lá disse à senhora que realmente não sabia, esperando secretamente que me deixasse voltar ao meu biscoito de mel.
Mas não estava no meu momento de sorte. A senhora não desencostava da ombreira e cada vez me parecia mais cansada. Estava para ficar.
- Quer que lhe dê algum recado se a vir? (diz depressa, pensava eu)
Desencostou-se da ombreira, titubeou qualquer coisa que apenas no final entendi...
" Vinha pedir-lhe que me emprestasse 10 euros. Está tudo tão mau... o meu marido em casa , a filha não arranja trabalho.... tenho de aviar esta receita..."
Nada melhor do que chamar o cão naquele momento. Deste modo, olhava para o chão e talvez não cruzasse o olhar com aquela pessoa que também não me olhava ,enquanto me tentava dizer o que nunca tinha pensado dizer a quem não conhecia.
Disse que voltaria para me pagar, mas espero não estar em casa nem ter o carro estacionado à porta. Sinto-me envergonhada.
Obrigada, D. Alzira.
Há muito tempo que sabia que "está tudo muito mau", que já "há maridos em casa" e "filhos sem emprego" e perguntava-me como viveriam.
A resposta foi-me dada, sem precisar de ir à rua.
Passou-se hoje comigo, amanhã mais alguém saberá como se vive numa pequena cidade de interior, onde a maioria das pessoas se conhece, onde não há mãos estendidas em cada passeio que se atravessa, onde ainda há pudor em mostrar a necessidade que existe em casa.
Há apenas pobreza envergonhada. Até quando?
Um toque de campainha fez-me largar o biscoito que tinha na mão e ir abrir a porta. Por estes lados, ainda não são necessários excessivos cuidados quando se abre a porta de casa.
- Boa tarde, não sabe da D. Alzira?
...?? Certamente deveria saber,mas não sabia.
- Ela não está, nem o carro está à porta...
...?? Como pude não reparar que a D.Alzira não estava em casa, nem tinha o carro estacionado em cima do passeio, como é costume??
Ainda surpreendida com esta abordagem, lá disse à senhora que realmente não sabia, esperando secretamente que me deixasse voltar ao meu biscoito de mel.
Mas não estava no meu momento de sorte. A senhora não desencostava da ombreira e cada vez me parecia mais cansada. Estava para ficar.
- Quer que lhe dê algum recado se a vir? (diz depressa, pensava eu)
Desencostou-se da ombreira, titubeou qualquer coisa que apenas no final entendi...
" Vinha pedir-lhe que me emprestasse 10 euros. Está tudo tão mau... o meu marido em casa , a filha não arranja trabalho.... tenho de aviar esta receita..."
Nada melhor do que chamar o cão naquele momento. Deste modo, olhava para o chão e talvez não cruzasse o olhar com aquela pessoa que também não me olhava ,enquanto me tentava dizer o que nunca tinha pensado dizer a quem não conhecia.
Disse que voltaria para me pagar, mas espero não estar em casa nem ter o carro estacionado à porta. Sinto-me envergonhada.
Obrigada, D. Alzira.
Há muito tempo que sabia que "está tudo muito mau", que já "há maridos em casa" e "filhos sem emprego" e perguntava-me como viveriam.
A resposta foi-me dada, sem precisar de ir à rua.
Passou-se hoje comigo, amanhã mais alguém saberá como se vive numa pequena cidade de interior, onde a maioria das pessoas se conhece, onde não há mãos estendidas em cada passeio que se atravessa, onde ainda há pudor em mostrar a necessidade que existe em casa.
Há apenas pobreza envergonhada. Até quando?
Etiquetas:
Pobreza envergonhada
quarta-feira, junho 4
Tudo tem um início
Comecei a ler blogs, saltitando atrás de posts que me explicassem, deixando comentários, uns mais sérios, outros mais provocadores. Encontrei um, depois vários, que correspondiam ao "meu momento". Descobri, então, que estava em uníssono com a maioria. Reina o descontentamento, a frustação, a busca de um horizonte limpo de nuvens. Afinal, sou humana! Viva!
Foram estes os meus primeiros "posts" porque o João, que ainda não sabe desta minha loucura "de momento", os achou pertinentes. ;)
É só espreitar aqui,aqui e aqui.
Foram estes os meus primeiros "posts" porque o João, que ainda não sabe desta minha loucura "de momento", os achou pertinentes. ;)
É só espreitar aqui,aqui e aqui.
Etiquetas:
Tudo tem um início
Subscrever:
Comentários (Atom)